Este atlas de urinálise foi elaborado para auxiliar na identificação dos principais elementos encontrados no sedimento urinário, reunindo imagens e descrições objetivas de células, cilindros, microrganismos e outros achados microscópicos.
O objetivo é facilitar a correlação entre morfologia, identificação laboratorial e significado clínico, servindo como material de consulta rápida para estudantes e profissionais durante o estudo e a rotina da análise microscópica da urina.
Células Epiteliais
Células epiteliais escamosas
Nas mulheres, o epitélio escamoso está localizado na base da bexiga e na uretra. Nos homens, encontra-se na porção final da uretra e no prepúcio. Além disso, essas células revestem o interior da vagina e o períneo.
A presença de uma pequena quantidade de células escamosas na urina é considerada normal, pois essas células estão constantemente sendo renovadas e substituídas.
Grandes quantidades geralmente ocorrem quando a urina entra em contato com áreas próximas, como vagina, períneo ou prepúcio, durante a coleta. Nessa situação, o achado é considerado contaminação da amostra.
Células epiteliais transicionais, ou uroteliais
As células epiteliais transicionais revestem o trato urinário desde a pelve renal até a uretra nos homens e até a região do trígono vesical nas mulheres. Essas células geralmente apresentam formato arredondado ou oval.
Células isoladas podem ser encontradas na urina normal. Quantidades maiores podem estar associadas, entre outras situações, a infecções do trato urinário ou ao uso de cateter urinário.
Células epiteliais tubulares renais (RTECs)
As células epiteliais tubulares renais, ou RTECs, Renal Tubular Epithelial Cells, formam um epitélio em monocamada que reveste o túbulo proximal, a alça de Henle, o túbulo distal, os ductos coletores e a papila renal.
A presença dessas células na urina pode indicar lesão do trato urinário superior ou lesão tubular renal, podendo estar associada a condições como infecções, necrose tubular aguda ou rejeição de transplante renal, entre outras causas.
Hemácias
A morfologia das hemácias urinárias auxilia na investigação da origem da hematúria.
Na hematúria não glomerular, predominam eritrócitos isomórficos e monomórficos.
Já na hematúria glomerular, são mais comuns eritrócitos dismórficos e polimórficos, podendo haver cilindros eritrocitários.
Achados que reforçam origem glomerular incluem mais de 40% de eritrócitos dismórficos, mais de 5% de acantócitos, presença de cilindros eritrocitários, aumento da proteinúria ou albuminúria e sinais de redução da função renal.
A interpretação deve considerar coleta adequada, processamento rápido e padronização da análise.
Leucócitos
Os leucócitos encontrados na urina são, geralmente, granulócitos.
Define-se leucocitúria como a presença de mais de 5 leucócitos por campo, em aumento de 400×.
Na maioria das vezes, a leucocitúria sugere infecção do trato urinário, especialmente quando há presença de bactérias e sintomas urinários.
Mas, granulócitos também podem ser encontrados em situações de inflamação estéril, como na glomerulonefrite.
Cristais
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Cilindros
- Hialino: formado basicamente por uromodulina. Pode aparecer em pessoas saudáveis, especialmente após exercício, febre ou desidratação.
- Granuloso: contém grânulos derivados de proteínas e degeneração celular. Geralmente está associado a lesão renal.
- Hemático: contém hemácias e sugere fortemente sangramento de origem glomerular, como em glomerulonefrites.
- Leucocitário: contém leucócitos e indica inflamação renal, sendo comum em pielonefrite e nefrite intersticial.
- Céreo: homogêneo, refringente e de bordas bem definidas. Está relacionado a lesão renal avançada e doença renal crônica.
Bactérias
As bactérias na urina podem apresentar formato alongado, como bacilos, ou arredondado, como cocos. Uma diferenciação mais precisa apenas pela análise do sedimento urinário geralmente não é possível.
Esses microrganismos podem estar imóveis ou apresentar pequenos movimentos, semelhantes ao movimento browniano.
A presença de bactérias frequentemente ocorre acompanhada de leucócitos, caracterizando piúria.
A presença de mais de 20 bactérias por campo, em aumento de 400×, é descrita como bacteriúria.
A causa mais comum é a infecção do trato urinário.
Leveduras
Leveduras são fungos, frequentemente representados em humanos por espécies do gênero Candida, como Candida albicans.
Esses microrganismos podem estar presentes em pequenas quantidades no organismo, mas podem proliferar excessivamente quando ocorre desequilíbrio da microbiota, como após uso de antibióticos, em pessoas com imunidade reduzida ou com diabetes.
Ao microscópio, as leveduras costumam ser reconhecidas por células arredondadas ou ovais, frequentemente com brotamento, além da possível presença de hifas ou pseudohifas, que aparecem como estruturas filamentosas.
As células podem ocorrer isoladamente ou em agrupamentos, dependendo do tipo e da intensidade da infecção.
A diferenciação precisa da espécie de levedura apenas pela análise do sedimento urinário geralmente não é possível.
Muco
O muco é uma substância produzida pelo epitélio da bexiga e da uretra que, entre outras funções, ajuda na eliminação de bactérias.
A presença de uma pequena quantidade de muco na urina é considerada normal.
Quantidades aumentadas podem estar associadas, por exemplo, a infecção da bexiga.
Ao microscópio, o muco pode se assemelhar a um cilindro hialino.
Espermatozoides
Quando espermatozoides são encontrados na urina de homens, geralmente indicam ejaculação recente, embora também possam estar relacionados à ejaculação retrógrada.
Em mulheres, a presença de espermatozoides na urina é considerada uma forma de contaminação da amostra. Dependendo da idade da paciente, esse achado pode ter relevância clínica.
Em muitos laboratórios, existe uma política específica para relatar ou não a presença de espermatozoides no exame de urina.
Referências
CELLWIKI. Urine. Disponível em: CellWiki – Urine. Acesso em: 3 out. 2026.


